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2020 - Uma rede de solidariedade, um mundo possível.

Mesmo durante o isolamento social forçado pela pandemia do Coronavírus, as crianças do projeto Boquinha Livre não ficaram abandonadas.





Fomos atrás delas, para saber como estavam enfrentando esta fase totalmente desconhecida pela humanidade. Além do isolamento, a maior s dificuldade enfrentada por cada família estava relacionada a sobrevivência. O projeto Boquinha Livre foi interrompido durante a pandemia, mas não deixou de contribuir com a bolsa mensal, paga com a ajuda dos colaboradores. Ampliamos o valor da bolsa para garantir o mínimo de sustentabilidade. O resultado foi a dispensa abastecida de produtos de primeira necessidade, como pode se ver na foto enviada pela Luana, mãe da Isadora.


Vejamos então: depoimento da Flávia, mãe do Matheus.


Eu e meu isolamento

Minha rotina mudou completamente quando começou isso tudo dessa quarentena meu serviço mudanças por conta da quarentena teve, vezes que trabalhava um dia sim e um dia não e claro que tive que me acostumar com isso e o importante foi a dinâmica da casa que teve muitas mudanças porque antes meus filho tinham que ir pra escola e meu filho mais velho ir pra escola e trabalho e dai com isso tudo mudou todos em casa sem poder sair pra rua e também com o fato de eu descobrir que meu pai estava com o covid–19 minha reação foi de preocupação, angústia e não estava caindo na real por conta do meu pai ter uma certa idade, e problemas com a saúde e sempre tem que tomar remédio e também o fato da minha filha mais nova ficar muito grudada nele então quando recebi a notícia eu fiquei mais preocupada ainda por causa que ela tem contato com todos da casa porque além de ser grudada no avô ela é também no irmão mais velho e Isso me deixou extremamente preocupada com todos na casa por sabe que eu meu marido e meu segundo filho, meu marido com problemas no coração e meu filho segundo tem asma e minha filha tem bronquite e meu primeiro não tem nada mais não quer dizer que eu não fique preocupada com ele e também o fato de eu ter que me afastar do meu serviço e ter que ficar em casa por 14 dias e mesmo passando por todos esses momentos eu tive muita fé em deus e aliviada por estar trabalhando e saber que o estágio da doença do meu pai tá começando a ficar fraco mais mesmo assim fico preocupada e também com a família unida a gente passa por qualquer coisa e por todas as barreiras(Flávia).


Outra que demonstrou preocupação com a falta de aulas foi a Marcela mãe de Derik, Kelvin e Nicolas, e mais ainda com a falta do leite especial do pequeno Nicolas.

O isolamento

Eu Marcela trabalho como gari e não parei com a epidemia mais e tão ruim as crianças perdem aula. Os meninos estão aflitos e loco que voltem as aulas. E olha só, o Nicolas está sem o leite, se você conseguir doação? É o Fortini ........

O Matheus fez um relato fiel ao momento que atravessa na vida. Ele resumiu suas angústias, aflições e descobertas durante a pandemia.

Eu e o isolamento

Meu isolamento no começo foi bem difícil por conta de isso ter mudado toda minha rotina antes era sempre corrido escola, trabalho algumas festas e isso faz uma falta. E fato de ficar em casa foi pouco difícil de começo não levei tão a sério essa quarentena porque achava que não iria adiantar nada mais eu estava totalmente errado antes além da minha rotina ser corrida de todos daqui de casa também eram corrida como minha mãe trabalhando, meu avô trabalhando, meus irmãos fazendo curso e estudando e meu padrasto trabalhando mais isso tudo mudo claro nem tudo é um mar de rosas aqui dentro de casa já rolou umas brigas aqui em casa de mim é do meu padrasto por opiniões diferentes brigas entre eu é meu irmão mais qual é os irmãos que não brigam não é mesmo e também com o fato do meu avô ter contraído a doença mexeu um pouco comigo sabe porque dai sem ninguém de casa saiu pra rua mesmo nem pra ir no mercado direito por conta de estar em suspeita né porque meu avô mora com a gente é quem tem mais contato com ele é minha irmã e meu irmão e eles tem contato com o resto da casa é claro então todo mundo ficou em suspeita sendo que meu irmão, minha irmã é meu padrasto estão no grupo de risco por conta do meu padrasto ter problemas com o coração e meus irmãos terem asma eu não tenho quase nada né mais resumindo o que eu mais faço em casa é ler, olhar TV, fico fazendo alguns exercícios de academia em casa também, eu desenho fico mexendo no celular, dormindo quase sempre, e muitas vezes quando fico sentado na sala de casa e fica passando mil pensamentos na minha cabeça, e claro que eu fico fazendo os exercícios que a escola manda esse fato de estudar em casa foi bem novo né porque nunca que imaginei que chegaria um ponto que eu não fosse pra escola mais e eles mandassem tudo pra casa antes só estudava em casa pra alguma prova ou algum trabalho mais agora e diferente e vou falar que eu até gosto disso mais eu sinto saudade de sair pra rua ir pra escola, ir pro curso sair com os amigo, isso faz uma falta mais já que não podemos e bem isso que eu faço no meu isolamento. (Matheus)

A Júlia vê o lado humano como positivo nesta pandemia. Acha que a união das pessoas pode trazer resultados.

Eu e a quarentena

No meio de toda essa confusão, pandemia, quarentena, isolamento social e etc que está acontecendo no mundo inteiro, eu só consigo pensar em duas coisas, que ela está sendo boa para o ser humano, e que está fazendo uma limpa em todo planeta (ou seja, sendo ruim). Mas é claro que na parte em que falo, que ela está sendo "boa" não tô falando nesse sentido, mas sim no sentido em que está nos unindo mais, eu vejo mais doações, de roupa, de comida, e também vejo bastante doações de máscara e de álcool em gel, que no meio disso tudo é o mais importante pra mim.

Como eu tô me sentindo? Ainda não sei explicar direito, eu nunca achei que a quarentena iria tão longe assim, acho que estou 2 meses nela, e sinceramente no início pra mim era até de boa, conseguia me distrair com algumas coisas, mas depois de umas três semanas eu andei bem pra baixo, triste, com auto estima baixa, chorando, enfim não andei muito bem. Mas agora tô aprendendo a lidar com isso, cada dia que passa eu penso que é um a menos, e que logo tudo vai voltar a ser como era antes, mas é claro que todos nós devemos levar um aprendizado. Que nós devemos SIM se preocupar com o próximo sempre, pois se você não fizer isso o próximo a se machucar pode ser você, ou alguém que você ame, esse vírus que estamos enfrentando com certeza é uma das piores coisas que já aconteceu na minha vida, o que mais me irrita nisso tudo é que algumas pessoa não estão levando a sério ele, estão saindo pra rua toda hora, estão levando as mãos nos rostos sem lavar, não estão passando álcool em gel, é uma coisa tão básica que precisa ser seguida, mas é uma coisa MUITO importante, esse vírus deve ser levado a sério por todo mundo, ele mata, ele te deixa doente, ele se espalha, e se as pessoas não começam a pensar nele, e agindo do jeito que estão agindo (não todas, claro) a gente definitivamente nunca vai acaba com ele, então por isso é bem importante que todos façam a sua parte.

Esse texto representa um pouco sobre o que penso e que sinto no meio disso tudo. (Júlia)


O Erik levou um susto quando foi ao supermercado e viu as prateleiras vazias e pensou logo na família....


A quarentena e a família…

Minha família e eu no começo da quarentena sentimos um abalo, quando fomos ao mercado e não conseguimos muita coisa, pois tinham pessoas fazendo estoque de comida e muitas prateleiras ficaram vazias, conseguimos pouco alimento, atualmente estou passando a quarentena com a minha mãe e meu irmão de 8 anos, to meio que isolado da minha vó (estou vendo pouco, um final de semana sim e outro não), eu trabalho de menor aprendiz não fui demitido! Mas meu contrato foi suspenso por 2 meses por conta do corona vírus, espero só que tudo volte ao normal, pois estou com saudade da minha rotina! Uma coisa que eu reclamava, nunca gostava de rotina, hj imploro pra voltar pra ela. (Erik)

Mas sem a colaboração dos apoiadores seria impossível disponibilizar o auxílio para as crianças e suas famílias. A importância da rede de apoiadores é a segurança para que as famílias fiquem em casa, conforme relato de todas elas, e tenham condições de sobreviver com dignidade à situação que se apresenta. Mesmo com a falta de políticas públicas para protegê-las o gesto de vocês torna mais humana a vida daqueles que são esquecidos e marginalizados por uma sociedade convergente, onde seus interesses estão acima de qualquer coisa.

O projeto Boquinha Livre não tem palavras para agradece a sensibilidade descritas pela Valéria Moraes de Brasília e do Cláudio Gediel de Porto Alegre, cujos depoimentos, entendemos, resumem o sentimento de todos.

Nessa crise sanitária que estamos vivendo, precisamos exercitar o que nos faz mais humanos: a solidariedade. O Projeto Boquinha Livre tem sido uma ponte importante para mim, nesse sentido. Daqui de Brasília, sei que, mesmo minha pequena contribuição está chegando para dar algum conforto à famílias que necessitam. Obrigada, time Boquinha Livre!” (Valéria)


“Sinto orgulho de fazer parte de um grupo consciente e solidário com as pessoas em dificuldade, principalmente aquelas que não escolheram nem merecem essa brutal exclusão, fruto de uma sociedade doente. Torço para que consigam superar esse momento tão crítico e que tenham dias melhores. Abraço”. (Cláudio)

Porto Alegre, Junho de 2020 (Pandemia COVID19).


#boquinhalivre #quarentena

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